Quase todos os candidatos que esperam pelo exame prático acabam por procurar uma lista oficial dos percursos do exame de condução. A resposta é simples: não existe. O examinador escolhe o percurso no próprio dia e o IMT não o divulga antes. A razão é lógica — se os percursos fossem públicos, parte dos candidatos limitar-se-ia a decorá-los, e quem decora uma sequência de curvas não é necessariamente um condutor seguro noutra parte da cidade.
Isso não significa que não se possa preparar. As estradas à volta do centro de exames não mudam, e o examinador trabalha dentro de limites apertados. São precisamente esses limites que permitem prever, com bastante precisão, por onde vai conduzir.
Porque é que a rede de estradas úteis é menor do que parece
A prova prática tem uma duração limitada, começa e termina no mesmo sítio e, nesse tempo, o examinador tem de observar um conjunto concreto de situações: uma rotunda, um cruzamento com semáforos, um troço com limite de velocidade mais alto, uma rua calma para a manobra e, se o terreno o permitir, um arranque em subida.
Junte tudo e sobra uma rede surpreendentemente pequena. Em Lisboa ou no Porto a escolha é maior do que em Bragança ou Beja, mas o princípio é o mesmo em todo o lado: as ruas realmente utilizadas à volta do centro são bem menos do que o mapa sugere.
Comece pelo próprio centro
Todos os percursos começam e terminam no mesmo ponto — a saída do centro de exames. Vai usar esse cruzamento duas vezes, e nas duas alturas em que a tensão é maior: logo no início, antes de estar instalado na condução, e no fim, quando já está a pensar no resultado.
Por isso, aprenda-o a sério. Em que via deve sair, onde a visibilidade é má, como muda o trânsito na hora de ponta, se há uma passadeira logo a seguir à saída. É a forma mais barata de evitar uma falta no sítio onde é mais fácil cometê-la.
Procure situações, não curvas
O maior erro na preparação é tentar decorar um trajeto concreto: «à esquerda na igreja, à direita no semáforo». Não funciona, porque há vários percursos e o examinador pode escolher qualquer um.
O que funciona é outra coisa: identificar os poucos sítios à volta do centro que são objetivamente difíceis. Existem em todas as cidades — uma rotunda com marcação de vias ambígua, um cruzamento com má visibilidade para a esquerda, uma rua estreita com carros dos dois lados, uma mudança brusca de limite de velocidade. Os examinadores usam-nos não por maldade, mas porque é aí que se vê se alguém sabe realmente conduzir.
Encontre-os e percorra-os nos dois sentidos. O sentido muda tudo: um cruzamento fácil ao virar à direita pode ser bem diferente ao virar à esquerda através do trânsito em sentido contrário.
Conduza à mesma hora do dia
Se o exame está marcado para as oito da manhã, treinar ao sábado à tarde é só metade do trabalho. A hora de ponta da manhã, com as escolas e o trânsito para o trabalho, não tem nada a ver com uma rua vazia ao fim de semana. Procure conduzir pelo menos algumas vezes à mesma hora do dia em que vai fazer o exame.
As particularidades portuguesas
As rotundas merecem atenção especial: a regra de circulação pela via mais à direita sempre que possível, e a sinalização para sair, são faltas frequentes em exame. As zonas de 30 km/h em centros históricos, com ruas estreitas e estacionamento dos dois lados, testam a posição na via e a paciência com os peões. E nas saídas para estradas nacionais o examinador quer ver que ganha velocidade com decisão quando o limite sobe — andar a 50 numa via de 90 é falta, tal como o excesso.
Três erros que se repetem
Uma área demasiado grande. Muitos treinam por toda a cidade e não dominam nenhum sítio. Mais vale percorrer dez vezes os mesmos cruzamentos difíceis do que uma vez a cidade inteira.
Treinar só nas horas mortas. Ao domingo de manhã tudo parece fácil. O exame é normalmente num dia útil, com trânsito normal.
Adiar as manobras. O estacionamento é a parte mais fácil de adiar, e é muitas vezes a que decide. Faça-o no fim de cada treino, já cansado — porque no exame será assim.
Como a SteerClear ajuda
A SteerClear cria percursos de treino à volta do centro de exames que escolher com os mesmos limites com que o examinador trabalha: início e fim no centro, duração realista e vários tipos de cruzamento. Durante a condução, a aplicação avalia o mesmo que o examinador — controlo de velocidade, travagem, curvas, posição na via e observação — e no fim mostra onde perdeu pontos. Veja também o nosso guia dos percursos do exame de condução, o que muda com o novo regime de tutor em 2026, e como funciona a prova prática.
O essencial
Não existe lista oficial de percursos, nem vai existir. Mas não precisa dela. Comece na saída do centro, mantenha-se num raio realista, encontre alguns sítios verdadeiramente difíceis e percorra-os nos dois sentidos, à mesma hora do exame. Assim prepara-se não para um percurso, mas para todos os que o examinador pode escolher — e é exatamente esse o objetivo.